Às vezes vale a pena pensar sobre a vida. Não sobre o que temos ou não consumido, tampouco a respeito do que fizemos ou deixamos de fazer. São aspectos factuais que, mais do que ajudar em uma reflexão mais profunda, tornam-se barreiras ao pensamento abstrato, aquele em que vamos encontrar as verdadeiras significações. Chegamos quase à Ideia de Platão, mas aí já o terreno é extremamente perigoso e podemos nos enredar.
Tentar entender o que é a felicidade talvez seja um dos caminhos para se chegar ao sentido da vida. É um assunto para o qual não há dona de álbum de pensamentos que não tenha uma resposta pronta: A felicidade não existe. Existem momentos felizes. Essa é uma verdade chocantemente inócua, pois não chega a pensar o que seja a felicidade como também não esclarece o que são tais momentos felizes.
Pois bem, o assunto me ocorre ao me lembrar de que vivemos em uma sociedade excessivamente consumista, sociedade em que a maioria considera-se feliz se pode comprar. Assim é o capitalismo: entranha-se em nossa consciência essa aparência de verdade fazendo parecer que os interesses de alguns sejam verdades inquestionáveis. O que é bom para mim tem de ser bom para todos. Isso tem o nome de ideologia, palavra tão surrada quão pouco entendida. E haja propaganda para que a máquina continue girando. Não sou contra o consumo, declaro desde já, mas contra o consumismo. Erigir o consumo de bens materiais (principalmente) como o bem supremo de um ser humano é tirar-lhe toda a humanidade.
Para Diógenes, filósofo contemporâneo de Aristóteles, a felicidade, a verdadeira realização de uma vida, consistia em alcançar o autodomínio e a liberdade espiritual. E Diógenes viveu o que pensou. Para tanto, vivia em um barril, desprezava a opinião do mundo e os bens materiais.
Conta-se que Diógenes saía à rua em pleno sol com uma lanterna na mão. Indagado sobre o que fazia, costumava responder que estava à procura de um homem, mas de um homem de verdade.
Mas eis que aparece Schopenhauer, aquele mesmo, o inimigo do Hegel, e desenvolve seu sistema filosófico quase todo sob a convicção de que o ser humano só pode ser infeliz. É o filósofo do pessimismo. Às vezes sinto-me tentado a pensar que o Schopenhauer, lá do século XIX, já vislumbrava nossa época, a sociedade do consumismo desenfreado. Ele afirmava que o desejo é a regência do mundo. E que desejamos aquilo que não temos. Portanto, somos infelizes. E se o desejo é satisfeito com a obtenção de seu objeto, novos objetos surgem em seu caminho. Esta insaciabilidade do ser humano é que o vai manter preso à infelicidade.
Bem, e a que chegamos? Enquanto alguém que circule melhor do que eu pela filosofia, que mal tangencio como curioso, vou continuar pensando que a vida não tem sentido, apenas existência. E isso, um pouco à maneira do Alberto Caeiro, para quem pensar é estar doente.
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/felicidade-suprema/
Divagações da blogueira: Todos os dias tento me desapegar do que é material, mas muitas vezes cometo meus erros, compro por agústia, sem pensar, trabalho para comprar alguns itens, mas perto de grande parte das minhas amigas e amigos, sou a menos apegada ao material. Vivo perfeitamente bem sem ter aquele carrão da moda, ou sem aquele kit de maquiagem de 1000,00, sem aquele sapato dos solados vermelhos que eu teria que trabalhar um ano todo para ter um (...) Vivo bem com as pequenas coisas que conquisto, um brinco, um sapato, um vestido (...) OK! Isso é consumismo, mas creio que é a forma menos prejudicial dele, onde eu compro não para poder ser feliz, mas apenas para completar a felicidade de participar de uma festa, de um jantar ...
Tenho pena de quem desperdiça sua vida fora trabalhando horrores ou se atolando em dívidas para se sentir bem.
Não sou dependente desse mal, e não quero passar minha vida dependendo dele, apenas quero realizar alguns objetivos, mas nada que necessite de parcelas no cartão de crédito.
São textos assim que fizeram ser sua fã! Eu compro porque eu tenho vontade, não é uma obrigação fashion... Faz quase 2 anos que eu não uso cartão de crédito para parcelar compras, ou eu tenho dinheiro, ou não tenho e, olha, o tanto que eu consegui economizar não tá escrito!
ResponderExcluirAdorei que você abriu os comments, vai ter que me aguentar por aqui!
Olá Madame Jaleco! O prazer é todo meu de ter sua presença comigo!
ResponderExcluirQuando fiz o blog ano passado a intenção era reunir meus pensamentos e guardar bons textos que encontro pela internet e revistas, mas como ganhei uma fã, é uma honra abrir os comentários!
Eu tb adoro seu blog justamente por ser um blog de uma mulher normal! Sim, pq esses blogs de moda/make up/beleza em geral, na sua grande maioria, são totalmente fora da casinha! Exibem roupas, sapatos e maquiagens que estão fora do alcance da maioria das pessoas, e querendo não, são formadores de opinião, juntado isso a falta de juízo, muitas mulheres se tornam escravas daquilo que era para fazer bem!
Parabêns pelo seu blog e obrigada!